segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Exclusão Social e Benefícios Privados na Educação em SP

Quais seriam os três livros ou autores que José Serra declarou que colocaria à mercê dos jovens estudantes brasileiros, caso eleito? A julgar pelos critérios utilizados para eleger a bibliografia dos professores e alunos da rede estadual de ensino de São Paulo, poderíamos dar como certa a substituição de Machado de Assis, Jorge Amado e Guimarães Rosa por luminares do porte de Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor e Reinaldo Azevedo. O artigo é de João Paulo Cechinel Souza.

João Paulo Cechinel Souza (*)

A gestão demotucana no Estado de São Paulo tem sido marcada por profundas e contundentes transformações nas áreas consideradas fundamentais para a verdadeira emancipação individual de todos os cidadãos: Saúde e Educação. Na primeira, conforme trouxemos em artigos anteriores publicados neste sítio eletrônico, temos os exemplos catastróficos das Organizações Sociais substituindo a administração direta do Estado, o pouco incentivo dado à implementação da Estratégia de Saúde da Família, além da carência de leite artificial oferecido aos filhos de mães HIV-positivo na Prefeitura de São Paulo e da incapacidade gerencial para lidar com populações excluídas por definição, como os dependentes do crack e outras drogas ilícitas. Entretanto, é na Educação que as últimas administrações estaduais paulistas e a federal dos tempos de FHC cometeram seus maiores pecados.

Naquela época (Era FHC), o Estado e a Universidade brasileiros viveram períodos de recursos escassos, exíguos. Em todos os âmbitos político-administrativos, tentou-se apregoar e fazer valer a ideia do “Estado Mínimo”, de retirada da responsabilidade do Estado sobre os setores sociais fundamentais – entre os quais se enquadram justamente a Saúde e a Educação. Nunca na história brasileira se investiu tão pouco no ensino superior. Apesar das sucessivas greves de funcionários e professores, ainda assim, FHC, Paulo Renato de Souza (então Ministro da Educação) e José Serra (Ministro do Planejamento à época) insistiam em reduzir as parcas somas voltadas ao ensino de graduação e pós-graduação nas Universidades Federais brasileiras. Mesmo com a sensível reversão do quadro depois da saída do demotucanato da administração federal, infelizmente no Estado de São Paulo a situação não mudou muito – ao contrário, piorou ainda mais, vez que professores e funcionários de outros níveis de ensino também passaram a ser atacados.

Os ataques vieram naquilo que se constitui o ponto mais suscetível dessa categoria profissional: sua remuneração. Em outubro do ano passado, o então governador José Serra, conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa do Estado (ALESP) o fatídico Projeto de Lei Complementar (PLC) 29, de sua autoria. Tal Projeto, um primor de inconstitucionalidade, trouxe entre seus itens mais nefastos a perda da isonomia salarial dentre os professores estaduais de São Paulo – apenas 20% dos professores da rede estadual de ensino teriam condições de alçar alguma melhoria em seus dividendos, segundo o PLC. Naqueles dias, de intensa mobilização da categoria, José Serra impediu a realização de diversas assembleias desses nobres e resistentes profissionais, demonstrando publicamente seu caráter democrático e republicano. (A propósito, ao final do artigo são citados os nomes dos 48 deputados estaduais que trabalharam contra os professores – favoráveis ao PLC 29 – e também os 21 deputados que votaram contra o referido Projeto.)

Sempre trabalhando sob a ótica de sua (pseudo)democracia – e com o auxílio de alguns representantes da grande imprensa, há poucos meses, Serra reprimiu com extrema violência a manifestação dos funcionários em greve da Universidade de São Paulo, que reivindicavam 6% de aumento salarial. Reinaldo Azevedo, um dos principais articulistas da revista Veja e ícone do mundo bizarro na rede mundial de computadores, resumiu de forma categórica a lamentável ação, tecendo loas ao então governador tucano como “método de resolução de conflitos – a borrachada constitucional, desferida pela democracia de farda”. Atitudes como essas correspondem à participação vexatória do ex-governador paulista na Assembléia Constituinte de 1988, quando votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas ou se absteve de votar na hora de decidir o direito de greve, o abono de férias ou mesmo a garantia de salário mínimo real.

Contudo, não são de hoje as deferências e subserviências levadas a cabo pela Revista Veja, a Editora Abril e suas outras publicações em relação às administrações demotucanas, seja no âmbito federal, seja no estadual. Cabeça dum segmento da grande imprensa brasileira, a Editora Abril (e sua principal publicação, a Revista Veja) há muito tempo deixou de lado o verdadeiro jornalismo, mesmo que partidário e parcial, mas pelo menos apurador dos fatos, para trabalhar de forma leviana com o objetivo de manter seus sustentáculos e mantenedores dentro da máquina do Estado.

Desde a Era FHC, a referida Editora vem recebendo volumosas quantias financeiras oriundas do erário público, seja em seu próprio nome, seja em nome da Fundação Victor Civita (nome do fundador da Editora e pai do atual presidente, Roberto Civita) – segundo nos informa o Diário Oficial da União (DOU) da época.

Constam lá, por exemplo, as publicações em que o então Ministro da Educação (e hoje Secretário da Educação de São Paulo), Paulo Renato de Souza, oficializa uma mal definida “assistência financeira, no âmbito da Educação Fundamental, à Fundação Victor Civita – SP” (DOU 21/12/2001) ou a “Aquisição de 153.218 exemplares de cada uma das 10 edições do periódico Nova Escola, no período de 11/04/2000 a 05/04/2001” (DOU 26/04/2000).

Podemos encontrar também o nome do atual presidente da Editora sendo agraciado com a Ordem do Rio Branco – Grau de Grande Oficial (DOU 31/05/2002), título este concedido pelo governo brasileiro a parlamentares, ministros do Supremo Tribunal Federal e Tribunais Superiores, Presidentes de Assembleias Legislativas, além de alguns militares de carreira. Seu objetivo, por definição, seria estimular a prática de ações e feitos dignos de menção honrosa e distinguir serviços meritórios e atitudes cívicas. Não encontrei em minha memória qualquer feito que pudesse justificar a designação de tal honraria ao citado cidadão. Ao buscar relação entre esses cargos e a posição ou mesmo participação social daquele indivíduo na rede mundial de computadores, não obtive quaisquer resultados até o momento em que escrevo este artigo. Espero que pelo menos FHC e seu séquito (que inclui o próprio Roberto Civita) tenham a resposta que não obtive.

Delegado ao passado (quase) remoto da administração federal, o demotucanato manteve na administração estadual a promiscuidade com a referida Editora, como demonstram as publicações do Diário Oficial (DO) do Estado (apenas) do período entre outubro de 2007 e junho de 2009, que trazem a transferência de quase 35 milhões de reais aos cofres da Editora Abril – na verdade, R$ 34.704.472,52. Este valor refere-se à compra, entre outras coisas, de 220 mil assinaturas da Revista Nova Escola (o que significa quase 25% da tiragem total da revista) e 1, 385 milhão de exemplares do Guia do Estudante – boa parte constituída de edições antigas.

Essas transferências pecaminosas aos cofres privados da Editora Abril e da Fundação Victor Civita, mais uma vez, do dinheiro destinado ao aprimoramento da educação no Estado de São Paulo motivou, inclusive, uma ação encaminhada ao Ministério Público Estadual pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e resultou no inquérito civil número 249/2009. Segundo o Promotor Antonio Celso Campos de Oliveira Faria, designado para o caso, “houve a imposição de um único título aos professores da Rede Estadual de Ensino, beneficiando de forma inequívoca uma determinada instituição privada”.

Para completar, cabe-nos mencionar ainda a criminosa política educacional do Estado-objeto deste artigo ao transformar a bem sucedida proposta de progressão continuada (que já fazia parte dos currículos de vários municípios) em “aprovação automática”. Tal mudança, que institucionalizou a ignorância, terminou por delegar aos estudantes da Rede Estadual de Ensino a pecha de “analfabetos funcionais”, já que não têm suas deficiências corrigidas antes de receberem o certificado pela conclusão de seu ciclo estudantil e permanecem sem conseguir interpretar uma frase simples.

Seus defensores têm o objetivo claro de manter na exclusão aqueles que sempre estiveram nessa condição, já que também se esqueceram de trazer a comunidade para discutir propostas dessa magnitude, apartaram os docentes dum efetivo plano de formação permanente e elevação salarial e praticam a desintegração do Estado de São Paulo em relação ao resto do país, como se o indivíduo (estudante e/ou professor) não estivesse inserido num contexto maior.

Como vemos, a única forma de inclusão praticada pelo demotucanato paulista consiste apenas e tão-somente em beneficiar seus pares e sua imprensa – e manter afastados os interesses do povo, lamentavelmente. Resta-nos ainda o exercício mental de imaginar quais seriam os três livros ou autores que José Serra declarou que colocaria à mercê dos jovens estudantes brasileiros, caso eleito. A julgar pelos critérios utilizados para eleger a bibliografia dos professores e alunos da Rede Estadual de Ensino de São Paulo, poderíamos dar como certa a substituição de Machado de Assis, Jorge Amado e Guimarães Rosa por luminares do porte de Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor e, logicamente, Reinaldo Azevedo.

(*) João Paulo Cechinel Souza é médico especialista em Clínica Médica, residente em Infectologia do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (São Paulo) e colaborador da Carta Maior.

Deputados que votaram CONTRA os professores – A favor do PLC 29

DEM
Edmir Chedid, Estevam Galvão, João Barbosa de Carvalho, Milton Leite Filho

PDT
José Bittencourt, Rogério Nogueira

PMDB
Baleia Rossi, Jorge Caruso, Uebe Rezeck, Vanessa Damo

PP
Mozart Russomano

PPS
Alex Manente, Davi Zaia, Roberto Morais, Vitor Sapienza

PRB
Gilmaci Santos, Otoniel Lima

PSB
Ed Thomas, Jonas Donizette, Luciano Batista, Marco Porta, Vinícius Camarinha

PSC
Said Mourad

PSDB
Analice Fernandes, Bruno Covas, Cassio Navarro, Celino Cardoso, Celso Giglio, Fernando Capez, Geraldo Vinholi, Hélio Nishimoto, José Augusto, João Caramez, Maria Lucia Amary, Mauro Bragato, Milton Flávio, Paulo Barbosa, Pedro Tobias, Roberto Massafera, Rodolfo Costa Silva, Samuel Moreira, Vaz de Lima

PTB
Campos Machado, Roque Barbieri, Waldir Agnello

PV
Camilo Gava, Edson Giriboni, Reinaldo Alguz


Deputados que votaram A FAVOR dos professores (e contra a PLC 29)

PCdoB
Pedro Bigardi

PDT
Olímpio Gomes

PSOL
Carlos Giannazi, Raul Marcelo

PT
Adriano Diogo, Ana Perugini, Antônio Mentor, Beth Sahão, Carlinhos Almeida, Donisete Braga, Enio Tatto, Fausto Figueira, José Cândido, José Zico Prado, Marcos Martins, Maria Lúcia Prandi, Roberto Felício, Rui Falcão, Simão Pedro, Vanderlei Siraque, Vicente Cândido

ELEIÇÕES!!!!!

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala nem participa dos acontecimentos políticos.Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, dependem das decisões políticas. O Analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que de sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais. Brecht

PENSE NISTO!

domingo, 26 de setembro de 2010

“Manifiesto Zapatista en Náhuatl”

El General en Jefe del Ejército Libertador del Sur
“Emiliano Zapata”
Al pueblo de México
A los pueblos y gobiernos del mundo
Hermanos
Nosotros nacimos de la noche
En ella vivimos
Moriremos en ella
Pero la luz será mañana para los más,
para todos aquellos que hoy lloran la noche,
para quienes se niega el día,
Para todos la luz,
Para todos todo.

Nuestra lucha es por hacernos escuchar
y el mal gobierno grita soberbia y tapa con cañones sus oídos.

Nuestra lucha es por un trabajo justo y digno
y el mal gobierno compra y vende cuerpos y vergenzas.

Nuestra lucha es por la vida
y el mal gobierno oferta muerte como futuro.

Nuestra lucha es por la justicia
y el mal gobierno se llena de criminales y asesinos.

Nuestra lucha es por la paz
y el mal gobierno anuncia guerra y destrucción.

Techo, tierra, trabajo, pan, salud, educación, independencia, democracia, libertad
Estas fueron nuestras demandas en la larga noche de los 500 años
Estas son hoy,
nuestras exigencias.

Nuetra lucha es por el respeto a nuestro derecho a gobernar y
gobernarnos y el mal gobierno impone a los mas la ley de los menos,
nuestra lucha es por la libertad para el pensamiento y el caminar
y el mal gobierno pone carceles y tumbas,nuestra lucha es por la
justicia y el mal gobierno se llena de criminales y asesinos años.
Hermanos y hermanas de otras razas y otras lenguas,aquel a cuya
mano se acerque este manifiesto,que lo haga pasar a todos los
hombres de esos pueblos".
E.Z.L.N

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Debate entre candidatos a presidente de esquerda e progressista

Um esforço do Brasil de Fato para denunciar o caráter

anti-democrático do atual processo eleitoral



As eleições – espaço político que poderia ser importante para apresentar projetos para o país e elevar a consciência política da população brasileira – estão cada vez mais despolitizadas e dependentes do poderio econômico. São vergonhosas e imorais as milionárias cifras gastas para eleger os integrantes dos poderes Executivo e Legislativo em nosso país.

A burguesia brasileira reduziu a campanha eleitoral à propaganda na televisão, a marketing de pessoas – não de programas – que dependem de esquemas econômicos muito caros. A compra de cabos eleitorais – “militância” paga e material de propaganda sofisticados – se tornou um fato normal. Com isso, tem mais vantagem os candidatos que conseguem maiores arrecadações de recursos, junto a empresas, bancos etc., em mecanismos no mínimo promíscuos para quem deseja ocupar cargos públicos e administrar volumosos recursos do povo.

Nesse cenário, não há um clima de debates de ideias e de agitação política na sociedade. As campanhas eleitorais estão engessadas, moldadas por uma legislação que impede uma participação popular mais ativa. Limita comícios e atividades de agitação política próprias da natureza do processo.

Com as candidaturas favoritas niveladas por baixo e o debate sobre os rumos do país jogado ao ostracismo, a grande ausente do processo eleitoral brasileiro é a política. Política aqui entendida como a disputa de interesses contraditórios acerca dos problemas fundamentais da sociedade. E, numa sociedade de classes, desigual como a brasileira, o desaparecimento do conflito favorece os mais fortes, os dominantes.

A mídia corporativa cumpre ainda um papel fundamental nesta mediocrização das campanhas eleitorais. A cobertura limita-se aos favoritos – exatamente aqueles com os orçamentos milionários – e a linha editorial prioriza as trajetórias e características pessoais dos candidatos. Ou seja, projetos para o país jamais são discutidos.

Num esforço para romper um pouco com esse atual quadro eleitoral, o Brasil de Fato irá realizar no dia 21 de setembro, às 21 horas, um debate entre os candidatos à Presidência da República representados em nosso conselho editorial. Por ordem alfabética, foram convidados Dilma Rousseff (PT), Ivan Pinheiro (PCB), José Maria de Almeida (PSTU), Marina Silva (PV), Plínio Arruda Sampaio (PSOL) e Rui Costa Pimenta (PCO).

E, o jornal Brasil de Fato como organizador, por sua característica plural no campo da esquerda está fazendo um esforço para articular outros veículos de comunicação da imprensa alternativa e popular no sentido de dar amplitude ao debate.

O debate é uma atividade unificada de partidos progressistas e de esquerda, juntamente com outros setores da esquerda, que farão um esforço no sentido de engajar o conjunto do movimento social, sindical e partidário no apoio ao debate.

A atividade terá também um caráter de ato político, com o objetivo de denunciar a falta de democracia do atual processo eleitoral, uma vez que a mídia corporativa adota critérios arbitrários para excluir candidaturas da sua cobertura. Portanto, o debate é na prática, um protesto contra o atual sistema eleitoral e midiático.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Convidamos todos/as os/as lutadores/as do povo para a Construção da Outra Campanha!

A Outra Campanha é uma articulação aberta aos grupos, movimentos e companheiros/as interessados/as em construir uma outra forma de fazer política, com base no protagonismo e na luta popular. É na luta e na organização popular que se cria o poder popular, que fazemos valer nossos direitos e arrancamos das elites políticas e econômicas as conquistas.A Outra Campanha Brasil é inspirada em "La Otra Campaña" organizada pelos zapatistas.

Se aproxima mais um período de eleições onde toda a população é chamada para votar. Todos nós já estamos fartos de tantas promessas, mentiras e escândalos de corrupção. Além disto, o modelo representativo não resolve, mas agrava nossos problemas, subordinando as decisões políticas ao crivo de supostos especialistas. Quando escolhemos atuar dentro da esfera parlamentar, adequamos a luta dos movimentos sociais a legalidade burguesa, que apenas mantém e conserva toda a situação de miséria e opressão de nosso povo! A ação parlamentar não pode ser vista como "complementar" a ação dos movimentos sociais, mas sim como sua antítese, seu freio, a oposição completa e absoluta da democracia direta e da autonomia da luta.

"Queremos que a responsabilidade do governo não seja exclusiva de um grupo, que não haja dirigentes ?profissionais?, que o maior número possível possa fazer o aprendizado" (Subcomandante Marcos)

ENTÃO:

CONSTRUIR UM POVO FORTE COM A OUTRA CAMPANHA

- Outra campanha, para convocar a luta e a organização popular, não para pedir votos, é o trabalho que nos mobiliza para fazer política. Porque a política não é assunto só para especialistas ou representantes.

- Outra campanha para lutar por um programa de emergência que atenda as necessidades do povo e enfrente os problemas sociais mais graves da cidade. Para recuperar a dignidade do que sofre na vida o preço da promessa não cumprida, pois somente a ação direta dos de baixo contra os que oprimem é capaz de fazer justiça.

- Outra campanha para construir um povo forte, para organizar os desorganizados, para unir os movimentos sociais que lutam, para fazer política com as próprias mãos com independência do governo, do partido e do patrão, pela decisão das assembléias e da luta popular em unidade.

- Outra campanha para dar voz a quem não é deixado falar, para construir participação popular onde o poder faz exclusão, para criar capacidade política pelos lugares de trabalho, estudo, moradia, pela cultura e os meios de comunicação comunitários.

- Outra campanha para construir poder popular, pra acumular forças com democracia de base e tomar de volta a política dos corruptos, das oligarquias e dos grupos dominantes do poder.

Links de Organizações que aderiram a Outra Campanha:

Rio de Janeiro ORGANIZAÇÃO POPULAR - RJ|São Paulo ORGANIZAÇÃO POPULAR AYMBERE - SP|Bahia COLETIVO QUILOMBO-BA |Alagoas RESISTÊNCIA POPULAR-AL| Rio Grande do Sul RESISTÊNCIA POPULAR-RS

OUTRA CAMPANHA BRASIL

"Hay que persuadir a Obama de que evite la guera nuclear"

Durante alrededor de cinco horas que duró la charla-entrevista –incluido el almuerzo– con La Jornada, Fidel aborda los más diversos temas, aunque se obsesione con algunos en particular. Permite que se le pregunte de todo –aunque el que más interrogue sea él– y repasa por primera vez y con dolorosa franqueza algunos momentos de la crisis de salud que sufrió los pasados cuatro años. "No quiero estar ausente en estos días. El mundo está en la fase más interesante y peligrosa de su existencia y yo estoy bastante comprometido con lo que vaya a pasar. Tengo cosas que hacer todavía".

Carmen Lira Saade - La Jornada

La Jornada

La Habana. Estuvo cuatro años debatiéndose entre la vida y la muerte. En un entrar y salir del quirófano, entubado, recibiendo alimentos a través de venas y catéteres y con pérdidas frecuentes del conocimiento…

Mi enfermedad no es ningún secreto de Estado, habría dicho poco antes de que ésta hiciera crisis y lo obligara a hacer lo que tenía que hacer: delegar sus funciones como presidente del Consejo de Estado y, consecuentemente, como comandante en jefe de las fuerzas armadas de Cuba.

No puedo seguir más, admitió entonces –según revela en ésta su primera entrevista con un medio impreso extranjero desde entonces–. Hizo el traspaso del mando, y se entregó a los médicos.

La conmoción sacudió a la nación entera, a los amigos de otras partes; hizo abrigar esperanzas revanchistas a sus detractores, y puso en estado de alerta al poderoso vecino del norte. Era el 31 de julio de 2006 cuando dio a conocer, de manera oficial, la carta de renuncia del máximo líder de la Revolución cubana.

Lo que no consiguió en 50 años su enemigo más feroz (bloqueos, guerras, atentados ) lo alcanzó una enfermedad sobre la que nadie sabía nada y se especulaba todo. Una enfermedad que al régimen, lo aceptara o no, iba a convertírsele en secreto de Estado.

(Pienso en Raúl, en el Raúl Castro de aquellos momentos. No era sólo el paquete que le habían confiado casi de buenas a primeras, aunque estuviera acordado de siempre; era la delicada salud de su compañera Vilma Espín –quien poco después fallecería víctima de cáncer–, y la muy probable desaparición de su hermano mayor y jefe único en lo militar, en lo político, en lo familiar.)

Hoy hace 40 días Fidel Castro reapareció en público de manera definitiva, al menos sin peligro aparente de recaída. En un clima distendido y cuando todo hace pensar que la tormenta ha pasado, el hombre más importante de la Revolución cubana luce rozagante y vital, aunque no domine del todo los movimientos de sus piernas.

Durante alrededor de cinco horas que duró la charla-entrevista –incluido el almuerzo– con La Jornada, Fidel aborda los más diversos temas, aunque se obsesione con algunos en particular. Permite que se le pregunte de todo –aunque el que más interrogue sea él– y repasa por primera vez y con dolorosa franqueza algunos momentos de la crisis de salud que sufrió los pasados cuatro años.

Llegué a estar muerto, revela con una tranquilidad pasmosa. No menciona por su nombre la divertículis que padeció ni se refiere a las hemorragias que llevaron a los especialistas de su equipo médico a intervenirlo en varias o muchas ocasiones, con riesgo de perder la vida en cada una.

Pero en lo que sí se explaya es en el relato del sufrimiento vivido. Y no muestra inhibición alguna en calificar la dolorosa etapa como un calvario.

Yo ya no aspiraba a vivir, ni mucho menos... Me pregunté varias veces si esa gente (sus médicos) iban a dejarme vivir en esas condiciones o me iban a permitir morir... Luego sobreviví, pero en muy malas condiciones físicas. Llegué a pesar cincuenta y pico de kilogramos.

Sesenta y seis kilogramos, precisa Dalia, su inseparable compañera que asiste a la charla. Sólo ella, dos de sus médicos y otros dos de sus más cercanos colaboradores están presentes.

–Imagínate: un tipo de mi estatura pesando 66 kilos. Hoy alcanzo ya entre 85 y 86 kilos, y esta mañana logré dar 600 pasos solo, sin bastón, sin ayuda.

Quiero decirte que estás ante una especie de re-su-ci-ta-do, subraya con cierto orgullo. Sabe que además del magnífico equipo médico que lo asistió en todos estos años, con el que se puso a prueba la calidad de la medicina cubana, ha contado su voluntad y esa disciplina de acero que se impone siempre que se empeña en algo.

–No cometo nunca la más mínima violación –asegura–. De más está decir que me he vuelto médico con la cooperación de los médicos. Con ellos discuto, pregunto (pregunta mucho), aprendo (y obedece)...

Conoce muy bien las razones de sus accidentes y caídas, aunque insiste en que no necesariamente unas llevan a las otras. La primera vez fue porque no hice el calentamiento debido, antes de jugar basquetbol. Luego vino lo de Santa Clara: Fidel bajaba de la estatua del Che, donde había presidido un homenaje, y cayó de cabeza. Ahí influyó que los que lo cuidan a uno también se van poniendo viejos, pierden facultades y no se ocuparon, aclara.

Sigue la caída de Holguín, también cuan grande es. Todos estos accidentes antes de que la otra enfermedad hiciera crisis y lo dejara por largo tiempo en el hospital.

Tendido en aquella cama, sólo miraba a mi alrededor, ignorante de todos esos aparatos. No sabía cuánto tiempo iba a durar ese tormento y de lo único que tenía esperanza es de que se parara el mundo, seguro para no perderse de nada. Pero resucité, dice ufano.

–Y cuando resucitó, comandante, ¿con qué se encontró? –le pregunto.

–Con un mundo como de locos... Un mundo que aparece todos los días en la televisión, en los periodicos, y que no hay quien entienda, pero el que no me hubiera querido perder por nada del mundo –sonríe divertido.

Con una energía sorprendente en un ser humano que viene levantándose de la tumba –como él dice– y con la mismísima curiosidad intelectual de antes, Fidel Castro se pone al día.

Dicen, los que lo conocen bien, que no hay un proyecto, colosal o milimétrico, en el que no se empeñe con una pasión encarnizada y que en especial lo hace si tiene que enfrentarse a la adversidad, como había sido y era el caso.

Nunca como entonces parece de mejor humor. Alguien que cree conocerlo bien le dijo: las cosas deben andar muy mal, porque usted está rozagante.

La tarea de acumulación informativa cotidiana de este sobreviviente comienza desde que despierta. A una velocidad de lectura que nadie sabe con qué método consigue, devora libros; se lee entre 200 y 300 cables informativos por día; está pendiente y al momento de las nuevas tecnologías de la comunicación; se fascina con Wikileaks, la garganta profunda del Internet, famosa por la filtración de más de 90 mil documentos militares sobre Afganistán, en los que este nuevo navegante está trabajando.

–¿Te das cuenta, compañera, de lo que esto significa? –me dice–. Internet ha puesto en manos de nosotros la posibilidad de comunicarnos con el mundo. Con nada de esto contábamos antes –comenta, al tiempo que se deleita viendo y seleccionando cables y textos bajados de la red, que tiene sobre el escritorio: un pequeño mueble, demasiado pequeño para la talla (aun disminuida por la enfermedad) de su ocupante.

–Se acabaron los secretos, o al menos eso pareciera. Estamos ante un periodismo de investigación de alta tecnología, como lo llama el New York Times, y al alcance de todo el mundo.

–Estamos ante el arma más poderosa que haya existido, que es la comunicación –ataja–. El poder de la comunicación ha estado, y está, en manos del imperio y de ambiciosos grupos privados que hicieron uso y abuso de él. Por eso los medios han fabricado el poder que hoy ostentan.

Lo escucho y no puedo menos que pensar en Chomsky: cualquiera de las trapacerías que el imperio intente debe contar antes con el apoyo de los medios, principalmente periódicos y televisión, y hoy, naturalmente, con todos los instrumentos que ofrece la Internet.

Son los medios los que antes de cualquier acción crean el concenso. Tienden la cama, diríamos... Acondicionan el teatro de operaciones.

Sin embargo, acota Fidel, aunque han pretendido conservar intacto ese poder, no han podido. Lo están perdiendo día con día. En tanto que otros, muchos, muchísimos, emergen a cada momento…

Se hace entonces un reconocimiento a los esfuerzos de algunos sitios y medios, además de Wikileaks: por el lado latinoamericano, a Telesur de Venezuela, a la televisión cultural de Argentina, el Canal Encuentro, y a todos aquellos medios, públicos o privados, que enfrentan a poderosos consorcios particulares de la región y a trasnacionales de la información, la cultura y el entretenimiento.

Informes sobre la manipulación de los poderosos grupos empresariales locales o regionales, sus complots para entronizar o eliminar gobiernos o personajes de la política, o sobre la tiranía que ejerce el imperio a través de las trasnacionales, están ahora al alcance de todos los mortales.

Pero no de Cuba, que apenas dispone de una entrada de Internet para todo el país, comparable a la que tiene cualquier hotel Hilton o Sheraton.

Ésa es la razón por la que conectarse en Cuba es desesperante. La navegación es como si se hiciera en cámara lenta.

–¿Por qué es todo esto? –pegunto.

–Por la negativa rotunda de Estados Unidos a darle acceso a lnternet a la isla, a través de uno de los cables submarinos de fibra óptica que pasan cerca de las costas. Cuba se ve obligada, en cambio, a bajar la señal de un satélite, lo que encarece mucho más el servicio que el gobierno cubano ha de pagar, e impide disponer de un mayor ancho de banda que permita dar acceso a muchos más usuarios y a la velocidad que es normal en todo el mundo, con la banda ancha.

Por estas razones el gobierno cubano da prioridad para conectarse no a quienes pueden pagar por el costo del servicio, sino a quienes más lo necesitan, como médicos, académicos, periodistas, profesionistas, cuadros del gobierno y clubes de Internet de uso social. No se puede más.

Pienso en los descomunales esfuerzos del sitio cubano Cubadebate para alimentar al interior y llevar hacia el exterior la información del país, en las condiciones existentes. Pero, según Fidel, Cuba podrá solucionar pronto esta situación.

Se refiere a la conclusión de las obras de cable submarino que se tiende del puerto de La Guaira, en Venezuela, hasta las cercanías de Santiago de Cuba. Con estas obras, llevadas adelante por el gobierno de Hugo Chávez, la isla podrá disponer de banda ancha y posibilidades de acometer una gran ampliación del servicio.

–Muchas veces se ha señalado a Cuba, y en particular a usted, de mantener una posición antiestadunidense a rajatabla, y hasta han llegado a acusarlo de guardar odio hacia esa nación –le digo.

—Nada de eso –aclara–. ¿Por qué odiar a Estados Unidos, si es sólo un producto de la historia?

Pero, en efecto: hace apenas como 40 días, cuando todavía no había terminado de resucitar se ocupó –para variar–, en sus nuevas Reflexiones, de su poderoso vecino.

“Es que empecé a ver bien clarito los problemas de la tiranía mundial creciente… –y se le presentó, a la luz de toda la información que manejaba, la inminencia de un ataque nuclear que desataría la conflagración mundial.

Todavía no podía salir a hablar, a hacer lo que está haciendo ahora, me indica. Apenas podía escribir con cierta fluidez, pues no sólo tuvo que aprender a caminar, sino también, a sus 84 años, debió volver a aprender a escribir..

“Salí del hospital, fui para la casa, pero caminé, me excedí. Luego tuve que hacer rehabilitación de los pies. Para entonces ya lograba comenzar de nuevo a escribir.

El salto cualitativo se dio cuando pude dominar todos los elementos que me permitían hacer posible todo lo que estoy haciendo ahora. Pero puedo y debo mejorar... Puedo llegar a caminar bien. Hoy, ya te dije, caminé 600 pasos solo, sin bastón, sin nada, y esto lo debo conciliar con lo que subo y bajo, con las horas que duermo, con el trabajo.

–¿Qué hay detrás de este frenesí en el trabajo, que más que a una rehabilitación puede conducirlo a una recaída?

Fidel se concentra, cierra los ojos como para empezar un sueño, pero no... vuelve a la carga:

No quiero estar ausente en estos días. El mundo está en la fase más interesante y peligrosa de su existencia y yo estoy bastante comprometido con lo que vaya a pasar. Tengo cosas que hacer todavía.

¿Cómo cuáles?

–Como la conformación de todo un movimiento antiguerra nuclear –es a lo que viene dedicándose desde su reaparición.

Crear una fuerza de persuasión internacional para evitar que esa amenaza colosal se cumpla representa todo un reto, y Fidel nunca ha podido resistirse a los retos.

“Al principio yo pensé que el ataque nuclear iba a darse sobre Corea del Norte, pero pronto rectifiqué porque me dije que ése lo paraba China con su veto en el Consejo de Seguridad...

Pero lo de Irán no lo para nadie, porque no hay veto ni chino ni ruso. Luego vino la resolución (de Naciones Unidas), y aunque vetaron Brasil y Turquía, Líbano no lo hizo y entonces se tomó la decisión.

Fidel convoca a científicos, economistas, comunicadores, etcétera, a que den su opinión sobre cuál puede ser el mecanismo mediante el cual se va a desatar el horror, y la forma en que puede evitarse. Hasta a ejercicios de ciencia ficción los ha llevado.

¡Piensen, piensen!, anima en las discusiones. Razonen, imaginen, exclama el entusiasta maestro en que se ha convertido en estos días.
No todo el mundo ha comprendido su inquietud. No son pocos los que han visto catastrofismo y hasta delirio en su nueva campaña. A todo esto habría que agregar el temor que a muchos asalta, de que su salud sufra una recaída.

Fidel no ceja: nada ni nadie es capaz de frenarlo siquiera. Él necesita, a la mayor brevedad, CONVENCER para así DETENER la conflagración nuclear que –insiste– amenaza con desaparecer a una buena parte de la humanidad. Tenemos que movilizar al mundo para persuadir a Barack Obama, presidente de Estados Unidos, de que evite la guerra nuclear. Él es el único que puede, o no, oprimir el botón.

Con los datos que ya maneja como un experto, y los documentos que avalan sus dichos, Fidel cuestiona y hace una exposición escalofriante:

–¿Tú sabes el poder nuclear que tienen unos cuantos países del mundo en la actualidad, comparado con el de la época de Hiroshima y Nagazaki?

Cuatrocientas setenta mil veces el poder explosivo que tenía cualquiera de las dos bombas que Estados Unidos arrojó sobre esas dos ciudades japonesas. ¡Cuatrocientas setenta mil veces más!, subraya escandalizado.

Esa es la potencia que tiene cada una de las más de 20 mil armas nucleares que –se calcula– hay hoy día en el mundo.

Con mucho menos de esa potencia –con tan sólo 100– ya se puede producir un invierno nuclear que oscurezca el mundo en su totalidad.

Esta barbaridad puede producirse en cosa de unas días, para ser más precisos, el 9 de septiembre próximo, que es cuando vencen los 90 días otorgados por el Consejo de Seguridad de la ONU para comenzar a inspeccionar los barcos de Irán.

–¿Tú crees que los iraníes van a retroceder? ¿Tú te los imaginas? Hombres valientes, religiosos que ven en la muerte casi un premio... Bien, los iraníes no van a ceder, eso es seguro. ¿Van a ceder los yanquis? Y, ¿qué va a pasar si ni uno ni otro ceden? Y esto puede ocurrir el próximo 9 de septiembre.

Un minuto después de la explosión, más de la mitad de los seres humanos habrán muerto, el polvo y el humo de los continentes en llamas derrotarán a la luz solar, y las tinieblas absolutas volverán a reinar en el mundo, escribió Gabriel García Máquez con ocasión del 41 aniversario de Hiroshima. Un invierno de lluvias anaranjadas y huracanes helados invertirán el tiempo de los océanos y voltearán el curso de los ríos, cuyos peces habrán muerto de sed en las aguas ardientes... La era del rock y de los corazones trasplantados estará de regreso a su infancia glacial...